sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Vamos colocar o bem acima de tudo

Por Ademar Campos Bindé*

Sex, 16 de agosto de 2013


Depois de quatro décadas de atuação direta no jornalismo ijuiense ainda não conseguimos desvincular o nosso foco dos fatos e das coisas que fazem parte do cotidiano comunitário.

De modo especial, porém, temos nos dedicado ao registro dos acontecimentos e personagens que fizeram e continuam fazendo parte da nossa história.

Nos últimos meses não conseguimos nos manter alheios aos movimentos desencadeados na comunidade com  relação a criação de um curso de Medicina na Unijuí.

Iniciativa louvável e meritória. Enquanto as gestões se corporificam, eis que vemos ressurgir um movimento, talvez, possamos dizer paralelo, de uma perspectiva de ter um curso de Medicina através da implantação de um campus da Universidade Federal da Fronteira Sul – UFFS em Ijuí.

Essa coincidência, que num primeiro momento se poderia considerar salutar, eis que logo se transforma no florescer de posições antagônicas. Não entendemos o porquê.

Logo somos levados a voltar nossos pensamentos para o passado e recordar de quantas outras iniciativas brotadas no seio da comunidade ijuiense que se transformaram apenas em sonhos ou, o que nos parece pior, foram conquistas alcançadas por municípios vizinhos. Simplesmente, porque o bem comum foi sobrepujado por interesses pessoais ou de grupos, quando não por aspirações políticas, o que é pior.

Apenas pelas observações pessoais que o acompanhamento da questão nos permite e a experiência de vida nos ampara, longe de polêmicas que nada constroem, resolvemos fazer algumas considerações que entendemos pertinentes nesta questão de um curso de Medicina em Ijuí.

Registrar a história da Unijuí em diferentes contextos e em diversos movimentos faz parte da rotina dos meios de comunicação, já que a Universidade sempre foi um dos assuntos férteis na seara jornalística, que tem o poder de fascinar a qualquer escritor, por conter elementos dignos tanto do jornalismo, quanto da literatura, com pinceladas de realismo, com sujeitos da comunidade escrevendo a história acontecer.

Enfim, nestes 56 anos, a comunidade fez história por meio da Unijuí e retratar estes fatos é sempre algo que rende para quem escreve.

Neste sentido, sem querer entrar no mérito da questão, mas tentando uma abordagem jornalística dos fatos atuais acerca da Universidade, para que se possa (re) pensar sobre o assunto e, a luz somente dos fatos, sem opiniões ou interesses, trazemos uma reflexão acerca da implantação de um curso de Medicina na Unijuí e suas polêmicas adjacentes que tem ganhado a mídia nos últimos meses.

Acreditamos que ninguém é contrário a vinda de um campus da UFFS para Ijuí. Isso é ponto pacífico. Ser contrário a isso seria falta de visão de futuro para o município e para a educação superior na região. A possível vinda deste campus fomentaria muitas frentes do município e isso sempre é algo positivo.

Entretanto, é pertinente lembrar que não existe nada de concreto quanto à instalação deste campus em Ijuí. O que se tem é uma possibilidade, a mesma possibilidade que existia em 2005, quando este movimento nasceu com o nome de Movimento em prol da Universidade Federal da Mesorregião Sul, com os mesmos atores sociais puxando sua luta.

Luta louvável, mas que, infelizmente, em mais de oito anos pouco ou nada se avançou, mesmo com as políticas federais de expansão dos campus de universidades federais. Insistir na luta é algo do que se orgulhar, pois demonstra a pujança do povo ijuiense em buscar melhorias para o bem comum.

Na outra ponta, existe a Unijuí, que também foi concretizada por homens e mulheres que buscam o bem comum e o desenvolvimento regional, que em pouco menos de um ano tem o sonho de trazer um curso de Medicina para o município muito próximo de se realizar.

A mobilização regional em volta do curso de Medicina da Unijuí não pode ter ligação com a possível criação de um campus da UFFS. São duas coisas distintas, que merecem a mobilização regional.

Nossa região é uma das poucas do País que conseguiu gerar um projeto, democrático e comunitário de desenvolvimento pela educação quando da constituição da Fidene, agora o desafio parece o mesmo e em nada inviabiliza outras iniciativas semelhantes de desenvolvimento.

*Ademar Campos Bindé é jornalista,  escritor, historiador e blogueiro do Portal Ijuhy.com


Comentários

Martin Ledermann - Ijuí (Rio Grande do Sul)

Enviado Qui, 15 de agosto de 2013

Texto coerente, sensato, inteligente e livre de qualquer tipo de interesse que não seja o bem da população.


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